O Último Sopro de Vida

Autor:
Paul Kalanithi
Editora:
Sextante
N° de Páginas:
176

Por que eu li?

Eu tinha visto algumas pessoas postando foto desse livro e algumas vezes ele aparecia pra mim em anúncios da Amazon e tal, mas decidi começar a ler quando vi uma foto do Ryan Holiday no Instagram Stories uma vez, dizendo que O Último Sopro de Vida era “surpreendentemente bom” e que ele até tinha chorado.

Como eu sou muito fã do Ryan e gosto demais do jeito dele de escrever, confiei e fui lá na Amazon procurar por When Breath Becomes Air, o nome em inglês.

E aí descobri que tinha em português também, no nome de O Último Sopro de Vida. Pronto. Comprei a cópia pro Kindle e uma em papel.

Logo depois vi mais comentários e até posts falando desse livro. O que eu fiz? Joguei ele pro topo da minha lista de leitura!

Quem é Paul Kalanithi?

Paul Kalanithi - Va Mais Longe

Paul Kalanithi e a filha, Cady.

Paul Kalanithi foi um neurocirurgião e escritor. Ele foi diagnosticado com câncer de pulmão em estágio 4 aos 36 anos, que é incurável, e bem quando ele estava chegando no auge da carreira que tanto planejou.

Quando não pode usar o bisturi, as palavras são a única ferramenta do cirurgião.
Paul Kalanithi

Ele veio de uma família de médicos e nem sempre teve desejo de se tornar um.

Ele até diz no livro “que conhecia a medicina pela ausência que ela causa, especificamente pela ausência do pai enquanto ele crescia, que ia trabalhar antes de amanhecer e voltava de noite e tinha que requentar o jantar.”

Eu tinha certeza de que nunca seria médico.
Paul Kalanithi

Quando era criança, se mudou para o Arizona, em uma região meio famosa por não ter a melhor qualidade de ensino, mas a mãe dele era extremamente preocupada com a educação, porque queria que eles fossem pessoas bem-sucedidas e não ficassem presos à drogas.

Isso fez com que ele tivesse quase uma educação dentro de casa, incentivado a sempre ler e aprender, crescendo com muito conhecimento e “listas de leitura especiais”.

Ele até fala no livro de vários livros que ele leu quando era criança e diz que é por isso que ele tem esse amor pela literatura. Paul foi MOLDADO pelos livros que leu.

Se formou em Stanford em Literatura Inglesa e Biologia Humana. Também tem diploma em História e Ciência da Filosofia, por Cambridge. Depois disso, ele fez o curso preparatório de medicina e seguiu essa carreira, deixando a literatura um pouco de lado.

Ao longo de O Último Sopro de Vida você vai vendo que ele era mais que médico e escritor. Dá pra perceber que ele era uma pessoa incrível, um lutador mesmo.

Paul também tem uma coisa muito curiosa que você percebe no livro: Ele projetou toda a carreira que ele queria ter, e se focou completamente nisso, abdicando de muita coisa e de vez em quando até “deixando de viver” para atingir o que ele queria na carreira.

E se for levar em consideração o que normalmente as pessoas pensam quando falam de “viver e curtir a vida”, Paul teve que enfrentar o câncer e aprender como morrer.

Ou seja, ele não teve tempo para viver de verdade. Para ele, a medicina não era um trabalho. E essa parte no livro é GENIAL!!!

A faculdade de medicina aguçou meu entendimento sobre a conexão entre significado, vida e morte.
Paul Kalanithi

(É muito difícil ver que a medicina e várias pessoas foram privadas de conviver com um cara como ele…)

O Último Sopro de Vida

Esse livro é muito sobre ser uma pessoa, um marido, um médico e um pai convivendo com uma doença terminal.

Sobre as coisas e as pessoas que importam na vida.

Sobre de alguma forma fazer a diferença e se importar com alguém.

É uma lição de resiliência, de vida e é um relato bem escrito e triste sobre uma vida acabando por causa de uma doença e tudo que isso envolve.

O Último Sopro de Vida foi escrito com muita dificuldade, nos últimos meses de vida, em um momento que ele tinha que conviver com muita dor, coisa que ele até fala no livro, quando cita que tinha que usar luvas especiais para poder digitar quando as pontas dos dedos começaram a rachar por causa da quimioterapia.

É uma autobiografia onde ele conta como pensava sobre o futuro, como ele passou a pensar depois que se tornou médico e como teve que mudar tudo por causa do câncer.

O Último Sopro de Vida é dividido em duas partes, além do prólogo e do epílogo:

Parte I: “Em perfeita saúde eu começo”

O Último Sopro de Vida - Paul Kalanithi - Vá Mais Longe

Paul conta a vida dele antes da descoberta do câncer.

Ele conta mais sobre o passado, como e porque se tornou médico, o desejo de viver cercado da literatura e do conhecimento e a vontade que ele tinha de entender o funcionamento do ser humano.

Nessa parte ele mostra como passou da formação em Literatura e Biologia para a Neurocirurgia e também o que movia ele.

Você também acaba ficando por dentro dos primeiros contatos de Paul com pacientes e como ele tinha empatia e pensava diferente.

Ele conta o primeiro parto. A primeira morte. As primeiras cirurgias…

Mostra de um jeito bem legal o quanto a vida de um médico é complicada e a quantidade de decisão difícil que ele tem que tomar. Fica claro que ser médico não é uma coisa tão simples e requer MUITO trabalho duro, muito mesmo. (Pessoalmente, passei a ter MUITO mais respeito pelos médicos depois desse livro)

Por exemplo, ele conta que uma noite estava cuidando de um caso com o cirurgião de plantão e tudo estava indo bem. E então o supervisor perguntou o que aconteceria se tivesse cortado dois milímetros mais fundo.

“Síndrome do encarceramento. Mais dois milímetros e o paciente ficaria totalmente paralisado, a não ser pela capacidade de piscar. E eu sei disso porque foi o que aconteceu na terceira vez que fiz essa operação.” Foi a resposta de Paul.

BIZARRO!

E ele vai passando nessa primeira parte pelo momento em que ele teve que escolher os rumos da carreira e a neurocirurgia, uma das especialidades mais difíceis da medicina, segundo ele.

…é assim que 99% das pessoas escolhem um trabalho: pelo salário, pelo ambiente, pelo horário. Mas essa é a questão. Colocar o estilo de vida em primeiro lugar é uma forma de encontrar um emprego – não uma vocação.
Paul Kalanithi

Essa primeira mostra bem como o médico tem que conviver com a vida e a morte e ainda tomar cuidado com a ética, sem deixar de se importar, e vai até o auge da carreira dele,

Parte II: Não pare até morrer

O Último Sopro de Vida - Paul Kalanithi - Vá Mais Longe

A segunda parte, “Não parar até morrer”, é um relato forte de um homem que luta até o fim para que seu último sopro de vida seja digno.

Com uma veia de escritor, ele rascunha um livro contando como passou de médico para paciente, as tentativas de tratamento, remédios, opções alternativas, os momentos de negação, de aceitação, de raiva…

Mostra como ele teve que lidar com a doença COMO MÉDICO, mas também como um homem, um pai de família. Todos os desafios, as mudanças que teve que fazer, a pausa e a volta à medicina…

Os médicos tem uma percepção do que é estar doente, mas não sabem realmente o que é até passarem por isso. É como se apaixonar ou ter um filho. Quando você toma um soro intravenoso, por exemplo, dá pra sentir o gosto de sal na boca. Disseram que isso acontece com todo mundo, mas eu nunca soube, mesmo depois de doze anos de prática clínica.
Paul Kalanithi

Nessa parte do livro ele mostra as decisões em relação ao tratamento, e o quanto isso era difícil, porque o tratamento definiria como seria a vida dele dali pra frente.

Mostra (e ele fala) o quanto a doença faz seus valores mudarem, como suas prioridades mudam quando você começa a “ver a morte de perto”.

Você precisa saber o que é mais importante para você.
Paul Kalanithi

O legal é que isso tudo é muito bem escrito, porque é claro que você vai se sentir meio mal em um ponto ou outro, vai ficar com pena e tal… Mas você ao mesmo tempo se sente feliz com todo o caminho que ele fez, que foi do jeito que ele queria (ou o mais perto disso.).

…eu tinha aprendido uma coisa, uma coisa que não se encontra em Hipócrates, em Maimônides ou em Osler: o dever do médico não é evitar a morte do paciente ou devolvê-lo à sua vida anterior, mas tomá-lo pelo braço e trabalhar até que ele consiga resistir, encarar e entender o sentido da própria existência.
Paul Kalanithi

Paul parou a carreira e depois conseguiu retomar, quando a doença recuou um pouco. Mas aqui ele vai mostrando o quanto era difícil lidar com as dificuldades e desafios, até que em um momento o câncer volta e ele fica completamente debilitado.

Ele também decidiu ter um filho, apesar de tudo isso, o que também é bem falado no livro, com todos os desafios que ele tinha. Nasceu a Cady, uma menina.

Essa segunda parte vai chegando ao final e você pode começar a se incomodar e ficar meio mal pelos problemas que ele vai tendo por causa da doença. Um deles é não poder ir na própria formatura! As dores, os remédios… E ter que parar de trabalhar de vez como médico.

Esse capítulo acaba da forma que você já deve saber, mas não é melancólico. É triste e só. O capítulo acaba meio sem fim, justamente quando Paul morreu.
E depois tem um Epílogo escrito pela esposa dele, Lucy.

Bora ler?

Eu recomendo MUITO esse livro. Passei a gostar de biografias, porque vi o valor que esse tipo de livro tem pra que a gente possa entender a vida de outras pessoas e modelar aprendizados.

Esse livro é tudo que o Ryan Holiday falou. Você pode ler no Kindle, em versão digital, ou comprar um versão impressa direto no site incrível da Amazon aqui nesse link.

E me diz aqui embaixo nos comentários se você já leu e o que achou do livro! Se você ainda não leu, me conta aqui se você vai ler e o que te motivou a começar esse livro, beleza?

Grande abraço,
-Leo Alvarenga.

Bibliografia extra:
Artigo da Maria Popova no Brain Pickings

Se você curtiu isso, compartilha aí! =)

  • Samanta Noronha

    “…é assim que 99% das pessoas escolhem um
    trabalho: pelo salário, pelo ambiente, pelo horário. Mas essa é a
    questão. Colocar o estilo de vida em primeiro lugar é uma forma de
    encontrar um emprego – não uma vocação” – que forte isso! É isso que estou buscando e vou ler esse livro com toda a certeza! Muito obrigada por sempre compartilhar seu aprendizado! Um grande abraço!

    • Vai gostar MUITO, Samanta! =)

      Obrigado pelo comentário.

  • Muller Gusmão Nutricionista

    Bem interessante! parabéns pelo artigo Leo, ficou top

    Abração

    • Que bom que curtiu, Muller!

      Lê o livro lá, porque é foda!

  • Thagyla Salazar

    Fiquei muito curiosa para ler!

  • Leticia Fagundes de Oliveira

    Lerei com certeza! Adoro biografias e saber que é bem escrito e humano me motivou. Obrigada por compartilhar.

    • Que bom que gostou, Leticia!

      Aproveita o livro!!! 😉

  • Nossa! Muito obrigada Leo pelo seu email me convidando a ler seu post. Adorei e me emociou, imagine o que fará quando eu ler o livro.

    • Oi, Jussara!

      Então depois que você ler o livro vai me contar o que achou, ne?!